Consciência verde
Que diferença faz?
Descubra a grandeza do impacto de atitudes verdes simples, como desacelerar o carro, reciclar o papel e o lixo doméstico e reduzir o consumo de carne. Diante das contas, perceba o quanto você é importante no desafio de manter a vida no planeta
Por Kátia Stringueto
O que adianta não jogar papel na rua se todo mundo joga? O que adianta pagar os impostos se existe tanta corrupção? E por que reciclar as sacolinhas plásticas do supermercado se lá na China são usadas cerca de 3 bilhões delas por dia? “É a mesma lógica que está por trás de todas essas questões. Uma noção de impotência. É difícil se sentir motivado a colaborar quando o problema é tão grande”, diz Miriam Duailibi, do Instituto Ecoar, de São Paulo. O Ecoar, em parceria com a ONG Instituto Ecoclima e a Universidade Positivo, de Curitiba, criaram o primeiro curso no Brasil de especialização em mudanças climáticas e seqüestro de gás carbônico da atmosfera. Indicado para empresários, executivos, professores universitários, o curso é reconhecido pelo MEC e tem a duração de 18 meses.
UM MAIS UM
“Sozinho ninguém vai acabar com o aquecimento global, mas, quando somos alertados para o quanto cada atitude pode minimizar nosso impacto no planeta, a história muda. É importante democratizar a informação e fazer mais e mais gente entender a diferença que pode significar”, insiste Miriam.
E que diferença é essa? Para mostrar quanto vale um hábito verde, recorremos a uma base de cálculo projetada especialmente para esse fim. Você até já deve ter ouvido falar dela. É a calculadora de CO2, ou dióxido de carbono. A medida ficou conhecida nos últimos anos, principalmente com o filme Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, e serve tanto para traduzir o impacto das ações humanas no meio ambiente como para dar uma idéia do refresco que é para o planeta quando certos comportamentos são reduzidos. Assim, mais do que ficar dizendo que o aumento no consumo de carne contribui para a devastação na Amazônia (a pecuária está se alastrando por lá porque as terras não florestais no Brasil já estão tomadas pela agricultura), as pessoas podem saber o quanto abrir mão de incluir carne no cardápio uma ou duas vezes por semana pode ser bom.
Tudo que a gente faz tem a ver com a emissão de gases de efeito estufa. É o que mostramos a seguir.
Vinte e cinco por cento das emissões de gases estufa no Brasil vêm da queima de combustível fóssil (principalmente petróleo). O restante está relacionado a mudanças no uso da terra e ao desmatamento
FAÇA A SUA CONTA
Para saber o quanto cada atitude repercute no gás carbônico liberado na atmosfera, os especialistas usaram como parâmetro a quantidade de carros* nas ruas. É como se, quanto mais responsável uma ação, menor o número de carros nas ruas.
RECICLAGEM DE JORNAIS E REVISTAS COMO FUNCIONA
Como funciona
A reciclagem da massa de papel equivalente a um jornal médio contribui com a redução de 0,08 kg de CO2.
- Uma pessoa/ano | Trezentos e sessenta e cinco jornais reciclados reduzem a emissão de 29 kg de CO2 por ano.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia | Multiplicando 29 kg de CO2 pela população consumidora do Bra sil, cerca de 114 milhões de pessoas, segundo o Instituto Ipsos, a economia seria de 3,3 milhões de toneladas de CO2. Ou 1,1 milhão de carros a menos nas ruas por ano.
RECICLAR LATINHAS DE ALUMÍNIO COMO FUNCIONA
Como funciona
Segundo a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), o Brasil conseguiu reciclar 78% das latinhas de alumínio comercializadas em 2006.
- Uma pessoa/ano: Cada brasileiro já contribui por meio da reciclagem de latas de alumínio com a redução de 60 g de CO2 por ano. Se reciclasse todas as latinhas, aumentaria a cota para 78 g de CO2.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia: haveria a redução de 148 mil toneladas de CO2, ou 53 mil carros a menos rodando por ano.
REDUZIR O CONSUMO DE CARNE VERMELHA COMO FUNCIONA
Como funciona
Cada brasileiro consome, em média, 36,5 kg de carne por ano, ou 100 g por dia. Para produzir 1 kg de carne, são necessários 20 mil litros de água e emitidos 3,7 kg de CO2. Além de fazer bem para a saúde, deixar de comer carne vermelha pelo menos três vezes na semana (40% menos do que o habitual), representa a seguinte economia:
- Uma pessoa/ano: 54 kg a menos de CO2 na atmosfera.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia: 10 milhões de toneladas a menos de CO2 equivalem a 3,5 milhões de carros a menos nas ruas.
TROCAR O CARRO A GASOLINA POR UM FLEX
Como funciona
No dia-a-dia estamos pouco conscientes das consequências geradas pelo transporte. Um carro 1.0 movido a gasolina libera 2,3 kg de CO2 por litro de combustível. A versão a álcool libera, por litro, 1,5 kg de CO2. O uso de etanol em carros fl ex, portanto, corresponde a uma importante economia financeira e de carbono. • Uma pessoa/ano: 3 mil kg de CO2 por carro em circulação.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia: cerca de 570 milhões de toneladas de CO2, ou 200 milhões de carros a menos nas ruas.
REDUZIR A VELOCIDADE
Como funciona
Os automóveis aumentam seu consumo de combustível quando aumentam a velocidade.
- Uma pessoa/ano: se você mantiver a média de velocidade do carro em 90 km/h, em vez de 120 km/h, vai economizar cerca de 20% de combustível. Em uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro (total de 900 km, ida e volta), deixará de liberar 17 kg de CO2 na atmosfera.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia: a redução seria de mais de 3 milhões de toneladas de CO2, ou 1 milhão a menos de carros nas ruas.
O LIXO E A SEPARAÇÃO PARA A RECICLAGEM
Como funciona
Segundo dados do Instituto Ecoar, um brasileiro produz, em média, 128 kg de lixo por ano. O simples fato de separar o lixo inorgânico (papel, metal, plástico, isopor, vidro) para a reciclagem pode reduzir 40% desse montante.
- Uma pessoa/ano: reduz a emissão de CO2 em 91 kg.
- Se todos os brasileiros encampassem a idéia: seriam 17 milhões de toneladas a menos de CO2 na atmosfera, ou 6 milhões de carros a menos.
* Os cálculos foram feitos com base em um carro 1.0 a gasolina, que, segundo o Instituto Ecoar, roda cerca de 12 mil km por ano e gera 2,8 toneladas de C02.
UM CENÁRIO BEM BRASILEIRO
O Brasil é considerado modelo em geração de energia elétrica. Sua fonte é a água. A maioria dos países usa energia de origem fóssil (petróleo e carvão mineral), que emite CO2, ou base nuclear, que representa um risco ambiental grande. Então, temos a vantagem de nos abastecer com uma energia limpa, e para racionalizar o uso dessa energia elétrica é necessário:
Ação: Mudança de lâmpadas convencionais para fluorescentes.
Como funciona: A troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas economiza em média 110 kwh por ano. “Na época do apagão, isso evitou o colapso do sistema energético. Embora não se reflita diretamente sobre a emissão de CO2, representa uma economia na conta e para o ambiente”, diz Eduardo Quartim, engenheiro florestal. Reduzir o tempo do banho em um minuto e evitar ir para o chuveiro das 18 às 20 horas (horário de pico) reduz ainda mais a demanda por energia elétrica.
Ação: Desplugar eletroeletrônicos.
Como funciona: Seu computador, seu aparelho de som e sua TV estão gastando energia mesmo desligados, sabia? Uma parte da energia elétrica está passando por eles pelo simples fato de estarem na tomada. Desplugá-los economiza de 1 a 3 watts de energia por equipamento. E você poderá comemorar uma redução no valor da conta no fim do mês.
Acão: Modificar o modo de uso de condicionadores de ar.
Como funciona: É comum encontrar situações em que o ambiente no verão está muito mais refrigerado que o necessário – chega a ficar desconfortável.
Fontes: Délcio Rodrigues, diretor de projetos do Instituto Ekos Brasil e coordenador da Iniciativa Cidades Solares /Instituto Vitae Civilis; Eduardo Quartim e Álvaro Rodrigues, Instituto Ecoar; e Instituto Ecoclima.
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